06 abril 2015

Conto novo



*** LANÇAMENTO FORMAS BREVES ***

"Agora que estamos de volta", de Alessandro Garcia.
COMPRE AQUI por R$ 1,99. Atalho para as lojas:
http://blog.e-galaxia.com.br/formas-breves/


“Enquanto toma banho, ele fecha os olhos e imagina quando poderá dar a ela a cidade que prometeu. Tudo ali é cinzento e pesado, como se blocos de fuligem se alojassem em seus pulmões todas as manhãs em que precisam enfrentar o metrô.”

O desejo no desvão da linguagem, numa narrativa contundente de um dos jovens talentos do conto contemporâneo.

Alessandro Garcia é autor de “A sordidez das pequenas coisas”, finalista do Prêmio Jabuti e segundo colocado no Prêmio Fundação Biblioteca Nacional. Publicou nos livros “Contos de Natal” (e-galáxia, 2014), “É Assim que o Mundo Acaba” (Editora Oito e Meio, 2012), “Assim você me mata” (Terracota, 2012), “Ficção de Polpa – Vol. 3” (Não Editora, 2009), “Ficção de Polpa – Vol. 1” (Fósforo, 2007; Não Editora, 2008). Escreveu o perfil do escritor Jonathan Franzen para o livro “Por que Ler os Contemporâneos?” (Dublinense, 2014). É editor da revista literária “Flaubert”.

Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

22 março 2015

De Santo Domingo a New Jersey

Qualquer busca sobre A fantástica vida breve de Oscar Wao (Editora Record, 332 páginas, 2009) apresenta o livro como a saga de um protagonista nerd ao extremo, terrivelmente obeso, afundado em um universo de ficção científica e que sonha em ser o Tolkien Latino. A própria orelha do livro o vende assim — um sujeito inadequado que jamais realizará seus desejos. Tudo escrito com "humor original e ternura". Talvez seja a estratégia para tornar o livro mais comercial, mas a verdade é que há muito mais, o que justifica ter sido considerado um dos melhores livros de 2008, ganhador do Pulitzer, do National Book Critics, entre outros importantes prêmios.


Somente a história de um filho de dominicanos, nascido nos Estados Unidos, que não se encaixa no estereótipo de macho alfa frequentemente associado aos seus conterrâneos já seria interessante no tratamento de um escritor hábil. O fato é que, mais do que isto, Junot Diaz, o autor — também dominicano — consegue construir a saga de uma família dominicana desde a época de Trujillo (general que comendou a República Dominicana de 1930 a 1961), até o fim dos anos 90. Para apresentar esta saga e construir um rico retrato da comunidade dominicana nos Estados Unidos, Diaz dá voz a uma gama de personagens. Afinal, para falar de Oscar, é preciso falar de sua irmã, de sua mãe, avós, desenterrando demônios do passado.

O autor, Junot Díaz.

Dosando com precisão esta mescla de amargura e humor, o romance desperta um sentimento agridoce. É painel intenso que dá voz aos imigrantes, com suas expressões fartas em espanhol e escarafunchando lembranças dolorosas. Imagine contrapor tudo isto a porções fartas de namedropping nerd: livros, jogos, filmes, quadrinhos, séries. Tudo está nomeado e assinalado para marcar as influências que tornaram a infância, adolescência e idade de adulta de Oscar praticamente insuportáveis, em humilhação e inadequação.



Com escrita ágil e envolvente, Junot Diaz apresenta com propriedade o gueto de Nova Jersey, tomado por latinos (e a rusga de dominicanos VS. porto-riquenhos garante outros momentos de humor) e uma República Dominicana que, por mais dolorosa que se apresente, pelas lembranças de repressão evocadas, pinta-se num quadro tão bem descrito, que o que fica é a vontade de conhecer além das páginas.


Publicado originalmente na revista da Have a Nice Beer.

27 janeiro 2015

Road movie gastronômico


Elementos que não podem faltar num road movie (juntos ou separados): 1. Personagem em fuga ou tentando um recomeço; 2. Estrada como metáfora ou meio de descoberta (da resolução dos problemas, do amor verdadeiro, do “eu” do personagem e variantes similares); 3. Aproximação ou distanciamento definitivo de personagens em conflito (que podem estar juntos na viagem ou não).
Com pequenas variantes, os elementos que formam este tão tradicional gênero podem ser notados desde as primeiras produções cinematográficas que o inauguraram — e isto lá em 1902, quando Georges Meliés lançou seu Viagem à Lua. A verdade é que, para alguns, o primeiro filme exibido na história, A chegada do trem à estação de Ciotat, dos irmãos Lumière, em 1895, já trazia a conexão entre cinema e viagem. E não importa que desde então as produções do gênero praticamente nunca tenham esmorecido. Os roads movies costumam trazer aquela familiaridade de identificação imediata: um conflito humano, um carro/moto interessante, lugares exóticos ou paradisíacos no meio do trajeto e temos a receita quase incontornável de sucesso. Adicione personagens carismáticos e corra para o abraço.
Chef, a mais recente empreitada do Jon Favreau não é diferente. Cansado dos blockbusters (o ator/diretor é responsável pelos dois primeiros filmes da franquia Homem de Ferro), Favreu resolveu retornar ao cinema intimista e de baixo orçamento, escrevendo, dirigindo & atuando. Para tornar tudo ainda mais irresistível, conseguiu a façanha de adicionar a amada gastronomia ao seu divertido road movie (e a amada Scarlett Johansson, que não pode nunca ser esquecida).
Utilizando os elementos do gênero: 1. Favreau é Carl Casper, chef apaixonado por seu trabalho. Frustado por ter sua criatividade podada no restaurante onde trabalha, tenta o recomeço com um food truck (o El Jefe) de comida cubana; 2. Casper irá redescobrir a paixão pela gastronomia; 3. A viagem também servirá para reaproximá-lo de seu filho, Percy (Emjay Anthony), de quem é distante desde que separou-se de Inez (Sofia Vergara).
Dito isto, vamos ao que importa: comidas deliciosas (não assista de estômago vazio), trilha sonora imbatível e locações incríveis, onde clássicos points gastrômicos dão o tom — e o sabor. Depois de dar adeus a seu emprego em Los Angeles, a viagem começa com a inspiração. É Miami, na Little Havana onde a família cubana de sua ex-esposa vive, que Casper terá o insight para os sanduíches cubanos que serão o sucesso de seu food truck. Como resistir à combinação de presunto doce, carne de porco assada, queijo suíço, picles e mostarda no pão tostado?

Próxima parada, New Orleans. Lugar onde a comida — beignets cobertas de açúcar no famoso Cafee du Monde — é um programa tão cultural quanto as infindáveis jams musicais na Frenchmen Street. Dali, El Jefe parte para Austin, onde o churrasco texano, assado lentamente do Franklin Barbecue vira recheio para outro sanduíche de sucesso.
É claro que num filme onde a gastronomia manda, a cerveja também tem seu lugar. Se não tanto como deveria — eles aparecem empinando algumas cervejas em momentos de comemoração —, a gente compensa, apresentando uma breve lista dos melhores lugares para se beber, nas cidades visitadas por El Jefe Carl Casper.
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6 bares para apreciar uma boa cerveja, nas cidades de Chef.
MIAMI

The Democratic Republic of Beer(501 NE 1st Avenue)








Mais de 500 cervejas de 60 países, aberto diariamente até as 5h. Ainda sedia um famoso torneio de beer pong.

The Bar
(The Bar, 172 Giralda Ave., Coral Gables)











O número de cervejas é menor: 48. Mas, para compensar, tem uma seleção de jogos de tabuleiros e um menu com uma grande seleção de hambúrgueres.
NEW ORLEANS

Barcadia Bar & Grill(601 Tchoupitoulas Street)










Além de uma grande variedade de cervejas, com foco nas artesanais, tem salas cheias de máquinas de games arcade.

Cooter Brown’s Tavern & Oyster Bar(509 S. Carrollton Ave.)












Uma seleção de 400 cervejas, com 40 nas torneiras. Perfeito para os fãs de esporte, com suas mais de 20 TVs à disposição.
AUSTIN
The Chicago House
(607 Trinity Street)











Qualquer cerveja, a $5 (exceto durante o happy hour, quando tudo é por $4!). Vinte torneiras e duas cervejas de barril.
Craft Pride(61 Rainey Street)












Mais de 50 torneiras dedicadas exclusivamente às cervejas produzidas no Texas.

Publicado originalmente na revista da Have a Nice Beer.

30 dezembro 2014

Beer in Blue


Uma San Francisco que não é a de Instinto Selvagem ou Uma Babá Quase Perfeita. Aqui, não se vêem os monumentos, lugares da moda, pontos turísticos. Não há takes da Fisherman's Wharf ou da Coit Tower. Longe destes, na 305 South Van Ness Avenue, os dias são monótonos e nublados, bem como quase todos os locais por onde Jasmine — a protagonista de Blue Jasmine, penúltimo filme de Woody Allen — perambula. O fato de a San Francisco deste filme não retratar os encantos que normalmente o diretor dedica às suas cidades-locações, vai ao encontro do mergulho desorientado de sua personagem.


Outrora uma moradora de Nova Iorque, com sua casa à beira-mar em Long Island, flanando entre joalherias no East Side de Manhattan e lojas de grife na 5th Avenue, Jasmine (Cate Blanchett ) vê sua vida dourada desabar, após a prisão do marido, o empresário duvidoso Hal (Alec Baldwin). Fora de sua zona de conforto, deixa o vôo alto de socialite para abrigar-se na bondade da irmã Ginger (Sally Hawkins), caixa de uma pequena mercearia, que lhe cede espaço na sua rotina simples da Costa Leste.


A esnobe Jasmine não tarda a mostrar-se uma agregada incoveniente, não medindo palavras para criticar a modesta vida da irmã, aí incluindo seu novo namorado, Chilli (Bobby Cannavale). Seu hábito de beber martínis de vodca com gengibre soa como corpo estranho no restaurante onde vai com a irmã, o cunhado e seu amigo Eddie. E é ao nos apresentar a este restaurante (mesmo em contraponto aos glamurosos locais por onde passeamos em filmes como Para Roma, Com Amor, Match Point ou Vicky Cristina Barcelona), que começamos a conhecer um pouco da genuína San Francisco.


The Ramp


Localizado no número 855 da Terry Francois Street, em Mission Bay, o The Ramp é uma instituição na cidade, localizado exatamente na área de San Francisco que alimentou a chama do movimento de cerveja artesanal da América, pelo menos desde a década de 70. Existente desde 1950, com sua vista para a baía, o The Ramp tem como pratos principais os frutos do mar. Daí um menu repleto de variedades de caranguejos e mexilhões. Todos opções perfeitas para serem acompanhados por uma cerveja como a Blue Moon, esta Witbier refrescante e cremosa que, devidamente servida com uma rodela de laranja, harmoniza divinamente com uma porção de camarão grelhado.


Ainda que em Blue Jasmine a cidade não seja protagonista, basta uma cena mostrando uma caminhada pela Ocean Beach — e o vislumbre da ilha rochosa Seal Rocks ao fundo —, para vir a vontade de desbravar os locais onde se pode degustar uma cerveja ao ar livre em San Francisco. Opções não faltam, como atestam os diversos guias, fáceis de encontrar. Uma escolha muito mais solar e que faz mais justiça à cidade do que os porres de vodca que se repetem nos dias de Jasmine.


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Outros 5 locais em San Francisco
para apreciar uma cerveja ao ar livre:



Public House
24 Willie Mays Plaza

















Hi Dive
Pier 28, Embarcadero at Bryant


















Waterbar
399 Embarcadero South
















Pier 23 Restaurant & Bar
Pier 23 on the Embarcadero


















Zeitgeist 199 
Valencia St (at Duboce Ave)


















Publicado originalmente na revista da Have a Nice Beer.

20 dezembro 2014

Um presente de Natal Top 3 na Amazon

(...)
só um segundo de pausa, Santiago volta a acomodar o joelho contra o banco, o gelado do couro atravessa a microfibra pouco espessa de sua calça. A penetração — dele nela — surge como um compasso do qual precisa voltar a fazer parte novamente. Como era aguardar a hora certa para ressoar a nota certa do xilofone, quando na banda. O arranhar — dela nele — acontece como resposta a uma hesitação que ele não deveria estar tendo. Mas é o tilintar de seu cinto balançando que o desconcentra novamente. Não que ele se desconcentre fácil, nunca com Melina, mas talvez o pensamento tomasse forma mesmo se concentrado — e então seria pior, a imagem da sua mulher e da sua filha, naquele momento, fundindo-se à sensação de aparar um dos seios de Melina com a mão em concha, ao mesmo tempo em que tenta retornar ao compasso — e a sensação de sentir o seio na mão em concha, mas não da maneira como deveria sentir o seio e sim de forma hiperconsciente, racionalizando sobre o fato de sentir o seio da cunhada na sua mão em concha enquanto sua esposa Martina e a pequena Natália esperam que cheguem com as compras.
(...)


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Este é um trecho de O grito, conto que escrevi especialmente para a coletânea de Natal, organizada pela editora e-galáxia e por minha agência, a MTS. O e-book está disponível para download, grátis e tem ainda tem contos de André de Leones, Cecília Giannetti, Claudia Lage, Estevão Azevedo, Luis Carmelo, Victor Heringer, Luisa Geisler, Maria Clara Mattos e Toni Marques. 

Nos últimos dias, ficou como Top 3 em Literatura, na Amazon, e Top 6, nas demais (Apple, Google Play e kobo). Os links estão aí. Aproveitem.

Meus dois tostões sobre Cortázar


(...) 
Como a própria declaração do autor, no livro Conversas com Cortázar, de Ernesto González Bermejo, definir o fantástico encobre uma gama demasiada de possibilidades e, no momento em que escrituras como as de Cortázar surgem, apresentando situações em que, sobre o sólito irrompe o inesperado e temais quetais, ligados ao metafísico, como estruturas espaço-temporais (temas que são focos de tensão dominante em seus contos), a primeira intenção é de tachar-lhe tal denominação: fantástico. No entanto, embora seja inevitável que eu tente aqui relacionar algumas significações sobre o fantástico, melhor definição, se assim posso dizer, à obra de Julio Cortázar, provavelmente esteja como narrativas de estranhamento. Eis o que o próprio autor diz sobre o fantástico.
Escrevi um ensaio sobre Cortázar e publiquei no Medium. Dá para ler por aqui

04 dezembro 2014

Por onde ando

O blog está bem abandonado, é fato. Mas não significa que estou parado. Pelo contrário: em tempos de modernidade líquida, ando espalhando minha produção por diversos lugares. Como estes:

Aqui, um papo rápido sobre 7 coisas que aprendi.

Resenho meu conto predileto neste site.

Edito, vitoriosamente, uma das mais longevas revistas de contos.

Escrevo sobre Cortázar, no Medium Brasil.

Participo desta coletânea.

28 agosto 2014

Viajar para encontrar



A busca da própria identidade através de uma viagem (a ideia, talvez romântica, de buscar o seu "outro", presente no lugar visitado), é território temático bastante explorado. Já presenciamos esta busca na literatura e no cinema. Mas no momento em que compreender a si mesmo implica em descobrir sobre outra figura que se julgava conhecer — ou se deveria —, esta busca ganha contornos que podem ser ainda mais surpreendentes do que achar a si mesmo. 


É usando a viagem como o elemento propulsor de reconstrução de identidade que se constrói a trama de As Mulheres de Meu Pai. Neste romance de 2007 do angolano José Eduardo Agualusa, a identidade buscada pelo protagonista não é a sua, mas a de seu pai. É este homem que, para a protagonista — a cineasta moçambicana Laurentina — é só um pacato burocrata lusitano, que estabelece a necessidade de imersão nesta viagem, na qual ela irá descobrir sua real identidade: a de um músico não só famoso pelo seu talento, mas pelas sete viúvas e dezoito filhos que deixou após sua morte. Desvendar as camadas que este novo "personagem" lhe apresenta, já se mostra tarefa estranha ao ler os anúncios obituários que seus filhos e viúvas lhe renderam no Jornal de Angola:


"'Pecado é não amar. Pecado maior é não amar até o fim do amor. Não me arrependo de nada, Tino, meu seripipi. Repousa em paz.'
No último anúncio, o meu pai posa para a posteridade, no vigor dos seus trinta anos, sentado à mesa de um bar. Diante dele tem uma garrafa de cerveja. Distingue-se o rótulo: Cuca. Enquanto escrevo estas notas também eu bebo uma Cuca. É boa, muito leve e fresca. Releio o texto: 
'Pai querido, abraça a mãe quando a encontrares. Leopoldina esperou tanto por esse abraço. Diz-lhe que os filhos dela, os vossos filhos, sofrem de saudades, (...)'".


Ao buscar este homem, diferente do que conheceu, Laurentina empreende uma viagem pelos países que Faustino Manso, o pai, percorreu: Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique. No projeto de reconstrução da identidade de Faustino, ela conversa com as mais diversas pessoas, desvendando uma teia que, ao mesmo tempo em que remonta a trajetória de seu pai, constrói um corolário de sentimentos, música, gastronomia, raízes, memória histórica — uma dimensão realista e generosa, potencializada pelo mosaico de vozes que compõem o livro. O romance, construído como uma espécie de diário, apresenta diversos personagens dando sua visão dos acontecimentos. Além disso, Agualusa apresenta dois níveis de narrativas interligados: um em que transita Laurentina, enquanto em outro se projeta o próprio autor, em uma viagem para fins de construção de um documentário, a partir do qual a ficção de um músico excepcional e de sua filha perdida – Laurentina – seria criada. É a metalinguística do processo de invenção literária nesta bela obra do premiado escritor. 


Nesta teia desvendada pela protagonista, quando o autor demarca os territórios a partir de sua construção cultural, aparece a famosa cerveja Cuca. A mais conhecida cerveja de Angola nasceu em 1947, e seu nome significa Companhia União Cervejas de Angola. A cerveja, que, em 1976 foi confiscada pelo Governo e nacionalizada, pertence desde 1992 ao grupo francês Castel Cuca BGI, que tem uma forte implantação na África e é proprietária de outras importantes marcas, como a histórica cerveja luandense Nocal (cujas origens remontam a 1958 e é, hoje, a segunda grande marca do grupo), as internacionais Eca, 33 Export, a Castel e a Doppe Munich. 


Seja em termos de notoriedade ou de vendas, a Cuca é a preferida dos angolanos, com seus mais de 48% do mercado. Esta pale lager é conhecida por seu sabor frutado e adocicado, com um amargor suave que só viceja no final. Cerveja de fabricação e distribuição maciça (o grupo também detém a marca Skol para Angola), obviamente a Cuca não se distingue como premium, com sua estratégia de expansão agressiva, com entrada recente em mercados como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Namíbia e Portugal. O certo é que, ao crescer e espalhar-se por outros territórios, a Cuca — assim como Laurentina e Faustino Manso — reconstroi um pouco de sua identidade a partir dos diversos territórios que passa a habitar. Mas (e aí está o segredo de toda marca de valor), não perde suas raízes, valorizando e difundindo seu local de nascimento, pois ali mora seu verdadeiro "eu". Uma estratégia que, não por acaso, fez-se questão de estampar em suas orgulhosas peças publicitárias: "Patrimônio de Angola."