07 outubro 2002

Existe, no Japão [principalmente do período feudal, mas presumo que parte de seu estilo de vida, atual, é logicamente influenciado por isto] certas regras de vida que vão de encontro ao ideal extremado de bem e de mal pregado pela cultura ocidental. Nomeados como "circulo de chu" [que implicava em deveres com o Imperador, com o Japão], "circulo de ko" [que implicava em devers com os pais e ancestrais], "circulo de giri" [entre outros, deveres com o senhor feudal, existia, porém, o giri-para-com-o-nome, segundo o qual você deveria honrar seu nome, não incorrer em ignorância, etc], "circulo de jin" [este, mais complexo, provém da ética chinesa, que se referia às boas relações entre as pessoas. No Japão, no entanto, a partir do termo conhecendo o jin,que significa benevolência, isto adquiriu um caráter extremamente negativo, pois presumia um ato de super-rogação o qual não se exigia de nenhum japonês. Logo, esta benevolência era vista como uma fraqueza] .


Estas, entre outras, são regras que estabelecem certos princípios de comportamento [caráter] a ser respeitados, e que não podem ser ultrapassados a menos que outra grande coisa contrária [também estabelecida pelas mesmas regras] aconteça, fazendo com que você desrespeite um destes círculos. Tipo, o circulo de giri, pode estabelecer que você deva ter cega obediência pelo seu senhor feudal e acate a toda e qualquer ordem sua, por mais estranho e bisonho que isto pareça. No entanto, se algo fizer com que o seu senhor feudal, de alguma maneira, quebre uma regra pré-estabelecida em relação a você [seu servo], o acordo anterior poderá ser quebrado [sua fidelidade], porque ele quebrou o circulo, e você poderá, até mesmo, infringir-lhe toda espécie de ato que garanta o reestabelecimento do seu nome e de sua honra, inclusive matá-lo.


Logo, não existe aquele princípio de "este é mau caráter, por isto ele matou o outro", mas sim, fatos que fizeram com que se desrespeitasse pontos destes circulos, tornando, pois, seus atos, justificáveis. Em alguns momentos, a necessidade de se quebrar o circulo, de maneira consciente, mas não querendo perder a pureza, por isto, implica em suicídio para que possa se reestabelecer a pureza perdida anteriormente. Interessante, não é? Informações maiores a respeito de O Crisântemo e A Rosa, de Ruth Benedict, a qualquer momento, mais detalhadas.