03 dezembro 2002

almodóvar, o novo hype


No momento, é artista pop star. Até no Brasil. As sessões para a imprensa e as pré-estréias de seus filmes lotam tanto quanto as de Star Wars. Nas mostras de cinema, os ingressos acabam dias antes. Ele não arrasta multidões às salas, como as produções de Hollywood, mas é a grife mais popular do cinema europeu no país. Sua obra mais recente, Tudo sobre Minha Mãe, teve público de respeito: 424 mil espectadores. As comédias de Woody Allen mal chegam à metade. Analistas do mercado cinematográfico esperam, até com modéstia e cautela, mais de 500 mil pessoas para Fale com Ela. É uma excelente bilheteria para um filme sem estrelas. Mas seu astro está atrás das câmeras - e brilha como Fellini em seu auge. [Revista Época, Edição 233 - 04/11/2002]



Cara, cara. Eu que sou um sujeito extremamente tranqüilo, que, mesmo que ultimamente, tenha reclamado da necessidade urgente de férias, sou um cara extremamente de bem com a vida. Até eu, este cara tranqüilo, tenho me indignado com estas necessidades constantes de criarem-se ícones, a todo momento deste cineminha cult. Que troço entediante e fútil! Agora, a moda é desfazer do outrora queridinho da crítica, o pobre do Woody Allen e seu "ex-cinema genial" [cuja qualidade é medida em quantidade de pessoas que vão assistir a seus filmes. Ser bom é ser tão assistido quanto à merda nerd do Star Wars], e enaltecer sobremaneira o Pedro, o Almodóvar, e seu "cinema de fuga dos clichês, oposição dos estereótipos e blá, blá, blá" [nossa, como é fácil parecer um crítico de cinema abalizado!]. Antes chineleavam os filmes "esquisitos" do cara e seu incansável e onipresente narigão da Rosy de Palma. Agora, o cara é do meio e, com seu cinema "fora do convencional" é o queridinho do momento. Que bosta. Fodam-se críticos de merda, geradores de opiniões farsescas.


[Até que eu não sou tão tranqüilo assim.]