11 dezembro 2002

Comecei a reler Benjamin, do Chico Buarque [da primeira vez que o li, o fiz de maneira rápida - acho que para uma resenha, ou algo parecido], e, desta vez, além de estar realmente me surpreendendo com o domínio literário e com a facilidade de estabelecer correlação entre momentos e fatos aparentemente díspares - tanto entre personagens, como entre situações -, me espanta também a leve ironia que o autor consegue florear durante grande parte da narrativa sem parecer espertinho ou pretensioso nesta intenção. É de uma linearidade tão natural, que consegue estabelecer momentos quase geniais, em sacadas bem trabalhadas mas inseridas sutilmente. Com um texto leve, consegue ser envolvente e apresentar momentos de tensão que acabam por gerar suspense em coisas aparentemente banais - uma guimba em um mijadouro, uma visita em um apartamento para alugar e coisas do gênero. Devo terminar logo e fazer um relato mais apurado aqui.