10 fevereiro 2003

Acabou de dar aquela cena de extrema demonstração bizarra da força descomunal que o DNA de uma mosca é capaz de proporcionar quando misturado ao de um humano. Digito sob a imagem gélida que escapa da televisão acima da minha cabeça, e, em Domingo Maior, um Jeff Goldblum das antigas, em período pré-cambriano, antes das enlouquecidas incursões Parque dos Dinossauros, com direito a mullet oitentista e tudo, ostenta sua força MOSQUEANA no clássico absoluto do horror meia-boca A Mosca. Na cena em questão, um mosca dominado pelo ódio e ira do inseto que emana em suas entranhas, desafia aqueles escrotos caminhoneiros em camisa de flanela que jogam sinuca em bares sórdidos existentes em todo e qualquer filme norte-americano feito apartir dos anos 80 a uma singela competiçãozinha de queda de braço. As risadas guturais e debochadas dos gordos suorentos são prenúncio de MORTE ou destruição - mas quem liga para isso, quando se é um coadjuvante que deve somente fazer sua parte, ou seja, aceitar os cem dólares em troca do desafio de um magrelo com cara de nerd? Portanto, o gordo mais canastra aceita o embate e, após as mãos unidas, a cara de não estou crendo que este magrelo está me ganhando e a seqüente secreção MOSCAL das mãos do Goldblum, o gordo tem o seu pulso QUEBRADO, em uma nojenta e entendida como então não-dispensável fratura exposta. Cenas que nos fazem glorificar o bom cinema norte-americano oitentista.