27 fevereiro 2003

AINDA O TERROR

E aprovado finalmente o esquema, Fernandinho, o Beira-Mar, foi devidamente transferido para longe de suas ricas parcerias do Bangu e do CV, se bem que, na minha opinião, ainda relativamente próximo do Rio. A idéia de tranferi-lo para Goiás, obviamente foi preterida e eis que mandaram o Beira para Presidente Bernardes, interior de São Paulo.

Eu costumo ter umas idéias meio violentas em relação à repressão do tráfico, mas meu amigo franty foi bastante elucidativo na sua idéia para a diminuição do terror, expressada em um dos comentários abaixo. Acho que vale a transcrição:


os trafis só enriquecem pq seu produto é caro e, de uma certa maneira, exclusivo e sem controle nenhum de produção e qualidade.

se, por acaso o produto deixasse de ser proibido e se tornasse um produto controlado no que se refere a produção e qualidade (ou importação, visto que é quase tudo 'importado') eles não teriam logística e infra-estrutura pra continuar no negócio. portanto iam ter que ir pra outras áreas, ou trabalhando 'normalmente' ou praticando outro tipo de crime, como o roubo, mas, fora o tráfico, os outros crimes (roubos sequestros, etc) não dão tanto resultado, são muito mais arriscados e atraem bem menos pessoas, fora o fato de que não geram um conjunto de relações de poder e trabalho (como o tráfico, que necessita de uma 'equipe' para dar certo), logo, a criminalidade iria, *provavelmente* diminuir.

ah, acho que outra alternativa que seria usada pelos 'novos desempregados' seria o jogo do bicho... mas AJA gente jogando no bicho pra empregar toda essa galera...

no caso da holanda, que legalizou as drogas leves e pesadas (essas apenas vendidas diretamente pelo estado) eu posso dizer alguma coisa, pois trabalhei em uma pesquisa (sobre economia, nada a ver com drogas) com uma ONG holandesa, e tive a oportunidade de saber mais como funciona o sistema e o que vem acontecido.

é mais ou menos assim:
maconha é liberado, tu pode carregar, fumar (com descrição) e, se tu tem um estabelescimento (um bar ou coisa assim) vender é permitido. como ter um bar e vender erva é muito mais tranquilo do que ser traficante e ter que lidar com a polícia e a concorrência (nada gentil) o preço do produto fica muito em conta, então não vale a pena traficar...
já drogas pesadas, como cocaína e heroína, são vendidas em postos de saúde. pra comprar o negócio vc tem que declarar ser usuário, e isso fica registrado junto ao governo (fica beeeem ruim pra ti pegar emprego, por exemplo). tu tem que usar na frente do funcionário, também.

comprar de um traficante é mal negócio, visto que o pó custa umas 4x mais nas ruas do que no posto.
isso causou uma queda grande no uso de drogas pesadas, já que fica ruim pra ti estar 'fichado', e aumentou o uso de maconha (o que não é lá um grande problema social, pelo menos não maior do que o nosso uso de nicotina e álcool) e de drogas psicodélicas (ácido, boletas) que ainda são proibidas...

é CLARO que a holanda nunca teve (nem nunca poderia ter) problemas sociais como o brasil... por isso não podemos saber o que aconteceria se fizéssemos isso aqui (será que os trafis iam diminuir um monte o preço? acho meio difícil, mas sei lá).
outro exemplo interessante é a inglaterra... se consome drogas lá aos quilos... e as autoridades estão preocupadas com o aumento da criminalidade (pra mim, que estou acostumado com brasil, lá parecia bem tranquilo) que está começando a ocorrer, por isso existe um projeto de legalização sendo estudado pelo estado.

se os lordes com um pouquinho mais de violência do que estão habituados já querem partir pra legalização, porque nós, que estamos fudidos (tá uma merda isso, tem que parar) nem sequer começamos a discutir isso sériamente?

todos os direitos reservados. eu acho.