05 fevereiro 2003

ALONE

Eu sempre gostei de ficar sozinho, embora não seja um primaz exemplo de homem que se vira MUITO BEM abandonado aos ratos. Gosto da solidão pelo simples fato de exercer atividades em períodos totalmente díspares do resto das pessoas com quem normalmente convivo. E isto implica, sim, em cozinhar alguma porcaria pelas duas da madruga, escrever pelado perto das quatro e, neste mesmo horário, estar com a sonzêra liberada pela guéla. Não, nada de livin la vida loca: não sou aquele adolescente cheio de espinhas e fã de heavy metal que gosta de atazanar a vizinhança com o som muito alto pelo simples prazer de parecer um boçal irresponsável. Como moro em casa, posso me dar o luxo de cometer excessos vez por outra e isto pode incluir uma sessãozinha de Funkadelic com cheiro de salsichão frito às três e quinze. Pena que eu sou meio preguiçoso para elaborar uns rangos altamente delícia, mas puxar-me-ei e tudo indica que esta noite conseguirei aquela saladinha com atum que venho me empenhando em tentar elaborar. Nível de deficiência mental? Algum. Na realidade é o ato de vagabundagem que me impede de ficar horas de pé à frente de um fogão elaborando substanciais e rocambolescos pratos à lá sei lá o que. Curto de verdade programinhas não falcatruas com padeiros que fazem comidas interessantes e que parecem bem gostosas. Não sou adepto, no entanto, da frescura, o que me faz ficar bastante feliz com um mexido de salsicha com ovo, queijo e mortadela [porque presunto é lance de quem morde a fronha.]