20 fevereiro 2003

A bem da verdade, ou vivemos de expectativas ou na necessidade constante de nos adaptarmos como que a frente do que ainda não aconteceu. Poucas são as pessoas ou as vezes em que nós mesmos nos sentimos contentes com o momento em questão, e, quando isto acontece, nos vemos perdidos na infindável angústia do medo que aquele momento acabe, e, por assim, deixamos de vivê-lo na intensidade merecida. Este fato é parte alarmante de uma covardia que se abate sobre nós viventes, descontentes com o imposto mas não corajosos o bastate para constestá-lo de maneira útil e que tenha algum fim resolutivo. Isto posto, nos vemos sempre insatisfeitos com o trabalho que temos e com a vida mesquinha que levamos. As atividades que nos cercam quase sempre serão melhores se algo acontecer. Algo que me faça ficar feliz acaba sendo a receita universal que permeia nossas expectativas de vida e o que é feito, na realidade, para que isto aconteça?

O emprego não é tão bom quanto gostaria que fosse? O que está sendo feito verdadeiramente para se mudar esta realidade, e, se não está sendo feito, a solução final é dedicar-se as lamúrias angustiantes da felicidade que não te cerca? Sim, isto parece um pouco aqueles capítulos dos detestáveis livros de auto-ajuda, mas é uma constatação cada vez mais aguda em nossos dias, em que a infelicidade e a insatisfação constante parecem ser a tônica que nutre nossos corpos e nossos sentidos, quase que em completo estado de catarse. A catarse que nos faz levantar em horários que não julgamos convenientes e nos movermos para recintos ou pouco iluminados ou mal freqüentados, ou pior, de conteúdo péssimo, para realizarmos atividades que não julgamos proveitosas para nossa existência vindoura. Ah, mas quando isto acontecer... E enquanto não acontece? Se vive aos pouquinhos, quedando-se na mediocridade da média existência?