27 fevereiro 2003

Ontem, neste calorão senegalesco [sim, eu sei, expresssão extremamente lugar-comum: Calor senegalesco é das mais batidas bragarái quando quer-se designar momentos de incessante calor. Não sei se é, na realidade, comprovadamente o top dos lugares mais quentes destes paradouros, mas é usada à grande, por algum motivo relativamente palpável. Presumo que tenha havido uma grande onda de mortes por superexposição calorífica e o sol, impiedoso, tenha feito várias vítimas, o que, conseqüentemente, fez com a imprensa mundial tenha exclamado em uníssono que o calor senegalesco foi cruel e matador. Desde então, estabeleceu-se como senso-comum referir-se desta maneira às ondas de calorões desta Terra incendiária. A propósito, porque é que deve ser legal ser negão do Senegal? Só porque rima? Lá não deve rimar, a propósito. O senegalês deve ser uma língua bem estranha, na verdade, e os dialetos regionais mais ainda] que se deitou sobre Porto Alegre, fu i obrigado a refrescar minhas carnes na piscina do CLUBE. E, eis que, tava eu de sunga, entregando a mochilinha pro cara da rouparia e ele pergunta Por acaso, tu é músico?. Meio que me surpreendi com a pergunta. Deveria responder Profissional, não? Perguntei primeiro Por que?, ao que ele falou Tu tem todo um jeitão e tal, estiloso [ou algo semelhante] e aí eu falei que sou vocalista de uma banda de soul - que, a propósito, não ensaia a uma cara e parece se desfazer cada vez mais com o tempo.... Agora, o que não sabia é que eu tenho cara de músico.