08 maio 2003

Contesta-se a facilidade de leitura na internet. Reconheço que não é a melhor das facilidades para quem o faz, no entanto, guardadas as devidas proporções com o formato livro e/ou revista, e tendo-se a disponibilidade de se passar algumas horas em frente a uma tela - que, vejamos bem, pode ser de um leve e moderníssimo laptop de alguns gramas a um pesado monitor de 17 polegadas Gateway2000, das antigas, sem frescurices de tela plana, como o que tenho a minha frente - e encontrando-se coisas realmente fascinantes para se ler, e teremos, senão as melhores das horas, bons momentos de boa leitura [um pouco difícil de garimpar neste vasto universo da internet, mas de maneira nenhuma impossível. Para não perder os bons lugares já encontrados de vista, vou acumulando-os aí do lado]. Tenho facilidade por ler revistas na internet. As que conseguiram uma boa versão eletrônica, e as exclusivamente nesta versão, tem uma navegabilidade atraente, que, na maioria das vezes, somente é desagradável se o seu descontrole organizacional for algo muito, mas muito relevante mesmo. Por que desta maneira, a facilidade e acessibilidade de cliques, que abrirão páginas de texto maciço com a rapidez que uma boa internet rápida proporciona, acabarão até mesmo por dispersá-lo do que se quer realmente ler. [Ahhmmm... vou ler isto aqui! Nã! Vou ler isto aqui! Puta que pariu!]


A literatura também não se constitui em uma dificuldade assoberbante, e isto é algo extremamente estranho de se ler vindo de um cara como eu, que não só sou apaixonado por livros em seu formato tradicional, mas amo o papel em todas as suas nuances. Daí minha dificuldade de me desvencilhar de revistas, jornais, enciclopédias, livros e quejandos que se atulham pelos cantos da minha casa. Como também trabalho com ilustração, a coisa se torna ainda mais psicótica, já que a gama de possibilidades gráficas se amplia conforme a diversidade de cada papel. E os papéis são prazer no contato com minha mão. Me rodeio por eles e nada me faz mais feliz do que uma mesa atulhada de livros à minha frente ou o bom cheiro de lugares como o Beco dos Livros [em Porto Alegre, uma rede maravilhosa de sebos].


O lance da leitura na internet muitas vezes se assemelha com a facilidade que o DVD trouxe e se diferenciou em qualidade do velho videocassete. De todas as maneiras quero deixar claro que sou e serei sempre apaixonado e nada há de melhor do que o livro no seu formato definitivo e tradicional. Só me refiro a uma leitura, que, bem concentrada em uma tela que não emita aquela luminosidade cegante em toda sua totalidade, pode ser revista em seus trechos com o baixar e levantar de uma barra de rolagem. Os lances da tecnologia. Que me permitem devaneios como este, mas em momento algum me fazem querer deixar de apalpar a boa e velha massa de celulose que só um bom calhamaço de livro contém.