07 maio 2003

Uma das coisas bacanas do Confissões de uma mente perigosa, é acompanhar como se deu a criação - além do conceito - do formato de programas do tipo namoro da tv e os shows de calouros, com sua preferência mórbida [mas, ainda que digam o contrário os politicamente corretos, divertida bragarái] pelas pessoas com sede de aparição e nenhum tipo de talento evidente, principalmente nas cantorias e danças que costumam apresentar em programas como este. Silvio Santos vem a ser, então, discípulo fiel do tal de Chuck Barris, criador destas perólas da sandice, e o retratado no filme. Este é um dos pontos interessantes no filme, é lógico, porque o fato principal é que George Clooney surpreende com uma ótima direção, principalmente de atores, e uma discreta aparição, como convém a um bom ator-diretor. Eu, que não tinha visto nada com Sam Rockwell, me surpreendi com seu talento. O negócio é que ele me lembra muitas vezes Benicio Del Toro, na atuação e algumas vezes, fisicamente. Pena que o filme não tenha feito muito sucesso nos Estados Unidos - aqui deve fazer, infelizmente, ainda menos. Biografias, ainda que roteirizadas por talentos como Charlie Kaufman sempre são complicadas; quando muito específicas, então, se tratando de personalidade da televisão americana, acho que dificulta ainda mais sua aceitação em outros países. É do tipo de filminho que vai se tornar cult, tal qual o [semelhante em alguns momentos] Quiz Show.