13 maio 2003

Velhos barbeiros de bairro são algo extremamente massa bragarái. Hoje, me encaminhei a um, aqui pelas bandas do Partenon a fim de tosquiar a lã: só passar uma máquina dois para baixar a cabeleira. O tiozinho que me atendeu, além do desconto amigo para o simples ato de passar a máquina na mufa, me concedeu praticamente a história da sua vida. Desde o desgosto, segundo ele, de trabalhar em salões que aos poucos vão sendo dominados pela "frescura destes cabeleireiros putos, que só querem se cercar de machos", até o desconto que ele próprio conseguiu com o Netinho [ex-vocalista do Negritude Jr., hoje apresentador de um programa popular na TV Record e dono de uma rede de salões em São Paulo] para realizar um curso de especialização em cabelos afros. Mais do que a simples nivelada na cabeça, o tiozinho dava umas podadinhas com a tesoura, cheio de estilo, tirando os desgarrados cabelos revoltos que ele ainda via na minha planície capilar. Escovadinhas despersivas, escova de barber molhada(!) e cremezinhos e talquinhos foram o complemento da coisa. No final, ingênuos cinco pilas, aquele amigo volte sempre e um dia bacana pela certeza de ainda existirem pessoas interessantes deste tipo.