26 julho 2003

Diário do Farol

Estou lendo Diário do Farol, do João Ubaldo Ribeiro, propagandeado como o primeiro romance maior da literatura brasileira vinculado irrestritamente à descrição e à contemplação do mal. É relativamente pioneiro no que se refere à romper com os temas comumente apresentados nos romances mais conhecidos, e não lembro de outro que tenha tipo por protagonista um homem com tanto afinco em cultivar o mal de todas as maneiras, ainda mais para a obtenção de seus objetivos, mas, mais do que isto, como sentido final de vida. O que se torna um tanto contraditório, é que o mal já descrito pelo editor nas orelhas, seria quase como a opção escolhida pelo protagonista como a sua filosofia de vida, o que não é verdade, já que este assume esta "visão" de mundo, se assim podemos dizer, pelos maus tratos que sofre do pai, desde a infância, bem como pela perda da mãe, que acredita ter sido assassinada por seu pai, fazendeiro de modos tão violentos e tão enojado do próprio filho, que algumas passagens soam por demais exageradas, tal é a quantidade de ódio existente em cada palavra, em qualquer momento, e todas as atitudes voltadas para o seu filho, que vem a se tornar seminarista, e, dentro da Igreja, e utilizando-se dos meandros oferecidos por esta, continua seu plantel de maldades e planos mirabolantes e traiçoeiros contra todos até a obtenção de sua missão-mor [diz ouvir a voz da sua mãe a pedir-lhe]: matar o seu pai.

Ainda não terminei de ler, mas assim que o fizer colocarei mais impressões aqui a respeito.