30 julho 2003

Eu vejo mais filmes do que leio livros, assisto a mais televisão do que deveria e leio menos livros do que gostaria. Ouço mais música do que todas as outras coisas. Eu deveria dar um jeito de mudar isto. Não a última coisa. Mas ao menos a segunda: estou assistindo muita televisão e deixando de ler bons livros e revistas. Quando leio, leio simultaneamente e em todos os cantos: ônibus, ponto de ônibus, botecos e filas, o que não chega a ser enlouquecedor pela minha capacidade de compreender a todos em suas diferentes características. Às vezes, por ansiedade, leio mais de dois ao mesmo tempo - recuperar o tempo perdido. No fim das contas, levo mais tempo para terminar todos. Tem muita coisa errada nesta história. Estou lendo o Diário do Farol por curiosidade sobre o livro e sobre João Ubaldo Ribeiro. Lendo Novelas Nada Exemplares do Dalton Trevisan por gosto por seus microcontos. Relendo Ovelhas que Voam Se Perdem no Céu do Daniel Pellizzari [mojo] por prazer e para escrever uma resenha. Lendo pela primeira vez Vidas Cegas do Marcelo Benvenutti por curiosidade e para uma resenha, também. E lendo Alguém que Anda Por Aí do Julio Cortázar por reverência ao deus da literatura.

O que acontece, é que por isso, acabo resenhando mais filmes do que livros, e gostaria que fosse mais o contrário. No entanto, o que fazer? Hoje, por exemplo, vou ao cinema, novamente.

No fim dos últimos dias, abandonei um pouco o Trevisan, bem como o Ubaldo e o Cortázar. Resolvi me deter no Pellizzari e no Benvenutti para fazer a coisa bem feita e realmente me aprofundar nos seus pequenos e belos libretos. Depois de tudo isto devo retornar aos velhos. Eles têm paciência. São parceria. Sei que esperarão por mim.