27 julho 2003

O silêncio não existe, eu penso enquanto tento me concentrar no livro que tenho que reler para escrever uma resenha. Aqui em casa já não há outro aparelho ligado - eu preciso começar a aprender a ler sem música, porque descubro o quão mais possível atenção consigo obter - então procuro me concentrar em cada linha. E consigo. O resultado é ainda melhor do que acompanhado por qualquer música, por mais "estilo consultório" que esta seja. No entanto, são poucos os momentos de quase perfeita falta de ruído: ao longe, uma criança grita; mais um pouco e um carro passa.

Então, me dou conta do som contínuo do estabilizador do computador. Mas, percebo que mais que isto, existe também o ruído intermitente da lâmpada fluorescente. Coisas que já se impregnaram ao nosso hábito repleto de objetos que se encaixam no nosso rol de "silenciosos", mas que acabam por denunciarem-se em momentos como este, em que, então, ocorre a busca do tal do silêncio absoluto e vê-se que este não existe. Dentro de um estúdio de gravação, com aqueles materias de vedação acústica? Hmmm... duvido de seu perfeito resultado. A pior percepção é de aparelhos contínuos com seu ruído de máquina que precisa continuar a funcionar para manter a sistemática de algo: estabilizadores, lâmpadas, máquinas de oxigênio, filtros d'água, refrigeradores. Desisto da esquizofrenia de tentar procurar o silêncio absoluto [quando me dou conta da ingenuidade disto], escrevo aqui sobre esta procura, desligo o computador e continuo minha leitura.