23 julho 2003

A "urbanidade" dos autores chega a ser exagerada, não dando espaço a outro tipo de gênero (e parece que se foi mesmo o tempo da divisão entre a literatura urbana e campesina). Mas há outros pontos em comum, como o individualismo do ser na passagem do século, a presença maciça de referências particulares de cada autor (vulgo "piada interna") e temas de grande interesse do homem hoje: sexo, miséria (o panorama social) e um tipo de espiritualismo desenganado, vacilante.

Para o músico e escritor João Paulo Cuenca, que em breve deverá fazer sua estréia na literatura dos grandes mercados, lançando seu até então intitulado Carmen pela editora Planeta, e, salvo acidentes de percurso, provavelmente estrelará uma antologia daquela que vem sendo chamada de Geração 00, o diálogo entre os novos autores acontece naturalmente, quase "sem querer". Uma análise superficial pode apontar as razões: eles ouvem um mesmo tipo de música, lêem o mesmo tipo de literatura, trocam e-mails e comentários em weblogs uns dos outros. Interessam-se, enfim, por assuntos semelhantes.


Comentários de Ricardo Sabbag a respeito do livro Geração 90: Os Trangressores, organizado por Nelson de Oliveira, contendo diversos nomes da chamada "nova geração de escritores", e que dá prosseguimento a esta outra antologia, lançada anteriormente, Geração 90: Manuscritos de Computador, organizada pelo mesmo Nelson.