19 agosto 2003

Me dei conta meio recentemente, que a gurizada de hoje já não faz reunião dançante. Na verdade, me dei conta neste instante, ouvindo a Antena1, perfeita rádio para escrítórios onde o clima musical não pode perturbar a ordem dos acontecimentos burocráticos, e conversando com minha colega, e ouvindo coisas como The Cover Girls (e lembranda a morte de Daniela Perez! - coitada, tão bonitchinha!) e John Lennon que, neste momento entoa um dos clássicos com que eu costumava abraçar as gatinhas e sussurrar simulacros de poesia em seus ouvidos ingênuos. A gurizada de hoje joga Counter Strike, ri com a boca arreganhada cheia de maionese dos cachorros-quentes nos recreios dos colégios (taí! recreio é outra coisa que não se usa mais... muito infantil para eles: intervalo, intervalo, ok.), tem conversas entusiasmadas e levam a sérios coisas como Matrix, mas não tem nem noção de que já não se fazem mais clássicos da adolescência como Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões e Mulher Nota 1000 (que, outra noite, deu no Intercine, na Globo. É, não pude resistir...).

O que tem, pois, a gurizada de hoje, contra as reuniões dançantes? Não gostam de dançar agarradinho, sentir o perfuminho d'O Boticário das menininhas asseadas e cuidar para não pisar em seus pés? Que mal há em festas realizadas às oito horas da noite onde está todo o mundo se querendo e todo o mundo querendo curtir os últimos sucessos de Michael Bolton abraçadinho no seu par preferido?

Nestas épocas o conceito de ficar era algo tão insólito quanto pirralhos com treze anos se quebrando em roupas féchion nas chamadas festas rave. A gente ficava, sim, mas eu não me lembro nenhuma vez de me ouvir dizendo a algum amigo: "Vou ficar com ela!", ou "Eu fiquei com ela!", ou, pior ainda "Tô pegando aquela ali!". Eu não sei o que fazíamos: abraçávamos, beijávamos, não chegava a ser um namoro na maioria das vezes - já que isto necessitava de outros passos adicionais que não tínhamos nem idade e nem predisposição para realizar - davamos até um amasso, mas não "ficávamos", oh, coisa mais vulgar.

Saudosistas exigem a volta da inocência (seja lá o que for isto!), de bailinhos e tudo o mais. Se as coisas mudam, acabo as aceitando e se foi um conjunto de novas atividades dos adolescentes de hoje que fizeram com que as reuniões dançantes acabassem, quem sou eu para querer exigir apaixonadamente seu retorno? Já nem vou em reunião dançante e tampouco iria se elas ainda existissem. Cada coisa a seu tempo. Só gostaria de saber o que faz a JUVENTUDE de hoje?Já sei! Vão a shoppings! Que coisa! Agora me ocorreu... Aquela pirralhada na volta do MacDonald's com seus moletons amarelos... Estão flertando. Flertando nos shoppings! Cuidando as menininhas gostosinhas, os rapazotes com seus moicanos à base de gel! Meu Deus... Perdemos a inocência...