28 outubro 2003

Estou me embreando na leitura deste best-seller para descobrir que Isabel Allende é uma escritora extremamente bem humorada. E isto é um fato raro nos dias de hoje. Ainda mais se tratando deste tipo de literatura, uma grandiosa saga que perpassa toda a história de uma família - Trueba - no Chile, e o universo fantasioso construído pela autora em seu primeiro livro, sem se deixar levar pela vaidade que a faria rebuscar a trama de insondáveis e densas descrições. Pelo contrário. Só estou continuando em sua leitura, por que é deveras divertida e nos leva a querer saber o que, afinal, acontecerá dali para a frente. O filme, que tenho em casa e nunca assisti, é uma daquelas adaptações com Jeremy Irons e Meryl Streep, então tem todo aquele lance profundo, A Casa como um personagem soturno e muito importante, passando ao largo de toda a ironia e leveza que se encontra no livro. Desde as descrições exageradíssimas de um cachorro que mais se assemelha a um cavalo, chamado Barrabás, até o detalhe no relato das feridas e chagas purulentas e repletas de vermes e moscas que tomam conta das pernas da mãe de Esteban Trueba. Tudo vai se enfiando por anos que passam rápido, décadas que se encontram e personagens fascinantes que se deixam levar ao ritmo leve que fará a autora traçar um retrato político de uma história chilena que vai dos anos 1905 a 1975. Enleva tranqüilas tardes de ócio e faz rir sozinho.