17 novembro 2003

Visita à Feira do Livro, ainda que prazerosa, sempre é desgostosa pelo simples empecilho financeiro que se faz presente e nos proibe, obviamente, de comprar a décima parte daquilo o que desejamos para aquele ano. Suprimi o prévio desconforto que me causariam visitas freqüentes à Feira e a não aquisição da totalidade de meus desejos a cada dia que fosse lá - e lombares de livros alisados, páginas cheiradas e outras espécies de manipulações literárias não compensariam meu pesar - por uma ida definitiva, em que me desfiz da responsabilidade que a atenção suprema com os gastos apontaria, para comprar tudo o que meu orçamento permitiu [ainda que em suaves parcelas]. No final das contas, me alegrou não ter restado nenhum sabor amargo que as compras inúteis acabam deixando em meu bolso. Pelo contrário, a certeza de ter gastado uma quantia considerável na compra de belas e duradoras obras, para o meu demorado e prazeroso deleite, me deixaram muito feliz, ainda que um pouco mais pobre. Querendo escalar um décimo da conotação poética que expressões deste tipo trazem consigo, realmente, a riqueza dos livros compensa a pobreza financeira que aquisição destes ocasionou. Compras bem feitas são a certeza feliz do dinheiro bem aplicado.