22 dezembro 2003

Porto Alegre. 18 de dezembro. 2003. Bar Opinião. Show do Los Hermanos. Eu tenho ultimamente (?) dividido minhas incursões por shows, sessões de cinema, teatro, mostras de arte e quetais entre experiências cujos resultados que advirão serão nulos, ou serão experiências non-sense; ou, ainda, serão experiências que trarão algum tipo de repercussão, resultado, impressão mais demorada, mudança de sentido na vida, alteração paradigmática no universo e por aí vai. O grande lance é a observação mais demorada sobre todos estes fatos: por vezes, o isolamente emocional, a percepção mais demorada, sei lá, alguma forma que lhe possibilite com mais segurança se dar conta dos efeitos daquela manifestação artística sobre você. No meu texto abaixo, sobre o filme Simplesmente Amor eu digo algo semelhante a que, no mínimo, o filme me fez sentir melhor, e feliz por estar com uma pessoa amada ao lado e com vontade de realmente fazer valer a pena cada instante junto dela. Ou coisa que o valha. E tem sido mais ou menos esta a minha resposta quando me perguntam o que achei do filme. Descontadas suas propriedades ficcionais - ou até por isto - é um filme que me fez sair realmente feliz do cinema, e isto é, sim, uma grande coisa mesmo.

Esta noção, penso, vale para cada manifestação artística que eu vier a tomar parte. Se me fizer sair dela ao menos mais feliz, terá valido a pena e muito. Eu tive certeza de que o show do Los Hermanos seria uma experiência de tal espécie mais ou menos ao soar do segundo acorde da guitarra de Marcelo Camelo. Por que? Talvez por que, antes deles mesmo deles preencherem o espaço do bar com suas vozes ressoantes através da caixa de som, todos os presentes no show já o fizeram. Talvez porque o lirismo, em um união tremendamente clara entre letra e músicas tenha me causado tal sensação. Ou a enlouquecida fanfarra em que se transformavam algumas de suas canções, causando sensações tão destoantes quanto uma audição de Squirrel Nut Zippers ou coisa que o valha.

A verdade é que este é o segundo show dos caras que eu vou no mesmo ano e este conseguiu me deixar ainda melhor impressionado que o primeiro. Como fatores como casa lotada, as pessoas cantando juntas, o calor do espaço, a rica experiência musical que um show deste tipo proporciona, são fatores consideráveis para considerações que podem, por vezes, alterar o sentido, posso reconhecer que, talvez, estes tenham influenciado sobre a minha percepção final do processo. Mas o que é um show senão um somatório de percepções? Se as minhas se tornaram melhores por causa de todos estes adicionais, não sei. O grande lance é que, mais do que sair feliz do local, eu me senti feliz, realmente, em cada um dos acordes, em cada música tocada, em cada manifestação do naipe de metais. Los Hermanos fazem um grande som, e a percepção disto, ainda que se dá de maneira grande ouvindo também Ventura, como estou ouvindo, se dá com ainda maior intensidade indo a um show dos caras. É uma grande experiência.

É preciso força pra sonhar e perceber/ que a estrada vai além do que se vê (Além do que se Vê)