28 janeiro 2004

"Cidade de Deus não é exatamente o filme que a Academia costuma nomear. Tem legendas, não traz uma narrativa clássica. Quando falei que era uma loucura, não era uma piada. Alguma coisa está mudando por lá. Eles relançaram o filme em novembro e fizeram uma boa campanha, com projeções e envio de críticas aos jurados. Foi um trabalho excelente, mas de um ponto em diante depende do filme. Eles fazem o cara ver o filme, mas não podem forçar ninguém a votar".

Apesar do próprio Fernando Meirelles não levar muita fé, é lógico que não poderíamos deixar de fazer nossa manifestação positiva quanto às quatro indicações, feito inédito para o Brasil. É bem verdade, como ele diz, que levar o prêmio de diretor, com aqueles grandões concorrendo [falo especialmente de Peter Jackson e Clint Eastwood, porque, apesar de Sofia Coppola parecer ter emocionado muita gente com sua comédia tocante Encontros e Desencontros, ainda é muito guria e este é, se não me engano, seu segundo filme. Além do mais, este parece o momento ideal para Clint Eastwood ser agraciado por sua carreira de diretor que já tem um número bem grande de realizações. Peter Jackson é complicado: apesar de ter feito um filme magistral, acho que a Academia ainda tem um certo ranço em relação a este tipo de produção, oferecendo-lhes, na maioria das vezes, categorias técnicas de outras ordens. Aí fica complicado para o Cidade de Deus com a categoria Edição, por exemplo, na qual O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei está concorrendo]. Eu aposto particularmente em Melhor Fotografia, já que concorre com Cold Mountain, A Garota do Brinco de Pérola, Mestre dos Mares e Seabiscuit. Ja na categoria Roteiro Adaptado Cidade de Deus concorre com o elogiadíssimo American Splendor, O Retorno do Rei, Sobre Meninos e Lobos e Seabiscuit.

American Splendor, aliás, me parece ser um filme interessante pra caramba [e para qualquer fã de quadrinhos underground], já que contempla a história de Harvey Pekar, que a partir dos anos anos 70, começou a publicar sua revista, chamada "American Splendor". Isto se deveu em grande parte ao fato de ter visto o seu amigo Robert Crumb (que aparece no filme, sendo interpretado por James Urbaniak) se tornar uma pequena celebridade em São Francisco como cartunista, e uma das figuras mais emblemáticas da contracultura norte-americana. O filme mescla imagens documentais de Harvey Pekar com dramatizações de períodos de sua vida, bem como através dos desenhos dos artistas que ilustraram muitas de suas histórias, como Robert Crumb.

Frase animada da vez:
"Prêmio de direção? Imagina, com todos aqueles figurões concorrendo. Mas estamos todos felizes com essa zebra.", disse, ainda, Fernando Meirelles.