12 fevereiro 2004

MESTRE

Que outro texto genial irei escrever agora...?Para mim, a idéia que faço de um conto e a forma que os escrevo respeita sempre uma ordem muito fechada. Um conto evoca uma imagem de um círculo, quer dizer, esse círculo, forma geométrica perfeita em que um ponto não pode separar-se da superfície total. No romance vejo uma ordem muita aberta, onde as possibilidades de bifurcação e entrar em novos campos são ilimitadas.

O romance é um campo aberto, verdadeiramente, já um conto, como concebo e gosto, tem limites, e é claro, são limites muito exigentes, porque são implacáveis; bastaria que uma frase ou uma palavra saísse desse limite para que, na minha opinião, um conto viesse abaixo.

Eu já vi muitos contos fracassarem por isso, por destruir tudo no último momento, com uma tentativa de explicação de um mistério, por exemplo, quando este era mais que suficiente como estava no conto e cada um poderia desvendá-lo com sua própria leitura, sua própria interpretação.

Tem gente que estraga contos colocando-os excessivamente explícitos, então o círculo se rompe, deixa de ser fechado.


Como homenagem ao mestre supremo Julio Cortázar [1914-1984] falecido, hoje, há vinte anos, o Paralelos preparou um interessante perfil do autor, que se pretende possível ler da mesma maneira que Jogo da Amarelinha.