01 março 2004

Nada pode ser mais requentado e batido do que Quero Ficar com Polly. A começar pelo título, tentativa de associação “espertinha” com Quem Vai Ficar com Mary?. O problema é que as associações terminam por aí. Sim, por que, mesmo tendo Ben Stiller nos dois, o Ben Stiller deste “Quero...” é um Ben Stiller nem perto do engraçado personagem do filme mais antigo. Se a culpa única fosse dele, no entanto, a coisa estaria no lucro. O problema maior fica por conta da antagonista escolhida para contracenar com Stiller. Jennifer Aniston é o cúmulo da falta de graça, o protótipo da garota mimada que não consegue arrancar graça nem em seus momentos mais inspirados. Pode parecer que isto é perseguição minha para com a pobre da atriz, e não estará errado quem pensar isto: desde sua personagem rica e mimada de Friends, para mim a atriz é absolutamente aquilo o que sua personagem demonstra, e não consegue transparecer nada diferente em nenhuma personagem que interprete. A única ressalva que faço para Aniston, é que ela é muito gostosa. Uma gata, linda, um corpo maravilhoso. Mas péssima atriz.

A trama é aquela, da incompatibilidade inicial entre duas partes tão díspares: Stiller é um cara que trabalha com seguros de risco, todo certinho, meticuloso, traído pela esposa [Debra Messing, de Wil and Grace] em plena lua de mel. Quando retorna, despedaçado, para remendar sua vida, reencontra uma antiga colega do colegial, Jennifer Aniston, uma bagunceira garçonete com um furão cego e com uma casa que parece um cortiço. As contradições entre ambos são gritantes, mas o que o amor não conserta?

Em um filme com Ben Stiller, dirigido pelo cara que foi roteirista de Entrando numa Fria (2000) e Zoolander (2001), John Hamburg, é fato que se saiba que se abusará de cenas de escatologia e de humor de apelo mais baixo. Stiller consegue se manter neste clima de comédias sem nenhum problema, já é descolado nisto: afinal, depois da cena do gel de sêmen em “Quem vai Ficar com Mary” tudo o que estaria por vir parece fichinha. O lance é que, em seu filme anterior, Stiller estava bem amparado pela Cameron Diaz, que, a despeito de sua beleza, é uma atriz que consegue tirar sarro consigo própria sem medo do ridículo e sendo muito engraçada. Aniston parece estar sempre com medo de cair no ridículo e manchar sua tão importante carreira. Atua na ponta dos pés, é distante. No máximo, é engraçadinha. Vale o filme pelas cenas em que remexe ao som da salsa. De resto, tudo fica nas mãos de Stiller e do sempre genial Phillip Seymour Hoffman no papel de um tosco ator, lembrado unicamente por um filme protagonizado na infância ao estilo dos “Goonies”. Ainda tem Alec Baldwin fazendo paródia de si mesmo e um engraçado Hank Azaria como um instrutor de mergulho francês e adepto do nudismo.

Rende risadinhas.