10 maio 2004


Antwone Fisher - Voltando a Viver - Sim, por aqui também se resenha filmes meia-boca! Um tanto pela curiosidade de assistir à estreia de Denzel Washington na direção e um outro tanto pela escassez de filmes decentes na minha pequena locadora de bairro em um domingo à noite.

É o típico filme que, por pior que seja o diretor, quase não há possibilidades de erro. Se bem que... em se tratando de um drama, existe o risco [como não pensei nisso antes?] de se exagerar a quantidade de açúcar, principalmente na direção de atores, escolha fora de hora de musiquinhas para emocionar e todo o lance desandar para a novela mexicana.

Denzel Washington se sai bem no entanto. Trama: Derek Luke interpreta Antwone Fisher, marinheiro rebelde, com tendências a brigas com seus colegas da Marinha e com visíveis problemas emocionais. Mandado ao psiquiatra [Denzel], passa por aquela fase típica de "não quero falar nada", representada por algumas cenas em somente comparece toda semana ao consultório do médico, esperando que seu tempo de consulta passe e ele possa ir embora tão revoltado quando entrou. É óbvio que lá pela quarta ou quinta visita ele começa a abrir seu coração para contar a sua sofrida história de vida, causadora de suas atitudes de revolta constante. O pai morreu antes dele nascer, assassinado pela amante, a mãe o teve na cadeia e nunca foi buscá-lo quando internado em um orfanato. Acabou crescendo na família de um pastor protestante, sendo constantemente espancado pela esposa do pastor e abusado sexualmente pela sobrinha desta. De lambuja, ainda vê o seu melhor amigo de infância, que se tornou assaltante, ser assassinado na sua frente.

Apesar de todo este histórico, não se envolve com drogas nem criminalidade, indo para a Marinha e tendo como único reflexo de problemas comportamental seus constantes ataques de violência. Nada que não possa ser apaziguado por um psiquiatra que se mostra cada vez mais amigão e pela paixão despertada pela linda marinheira Cheryl [a linda e ótima atriz Joy Bryant].

Ah, a despeito do título, não há nenhum elemento reencarnacionista na trama. Baseado na vida do próprio roteirista, a partir do livro que escreveu. De resto, todo aquele lance de mensagens edificantes ao final, tu me ajuda e eu te ajudo, a busca e o encontro de sua família, o conhecimento do verdadeiro amor, o poder da amizade e, deixa ver se esqueci algo, musiquinhas para adoçar o coração.