12 maio 2004

Eu tinha certeza de que o nível de atrocidades televisivas iria chegar ao seu ápice quando houvesse a criação de algum que intervisse alterando fisicamente os seus participantes. E não me refiro a alteração forçada causada por programas estúpidos como Jackass ou seus correlatos, onde débeis mentais podem se espancar ou causar acidentes que comprometam sua integridade física. Me refiro à alteração física completamente voluntária.

Estarrecido, me dei conta de que daqui para a frente nada mais vai me surpreender quando assisti em uma destas madrugadas insônes a Extreme Makeover. O quê? Alteração física, você me pergunta? Pois é. Na pátria onde os feios, os gordos caem no rol dos perdedores que estarão para sempre destinados ao ostracismo, a uma vida à margem dos ídolos com seus dentes e penteados perfeitos, criou-se o bizarro programa onde os insatisfeitos com sua aparência se propõe a passar seis meses sob os cuidados de cirurgiões plásticos, dentistas, protéticos e o que mais for para alterações drásticas na aparência. Os resultados, nos dois programas que assisti foram realmente surpreendentes. Tem desde a moça que se sente mais feia que a sua irmã gêmea(!), até a mulher de meia idade que surpreende o noivo surgindo completamente diferente no dia do casamento. Tiozinhos felizes com suas novas costeletas, obesos recém desprovidos de suas pochetes naturais, entre outros, compõem a fauna [alguns exemplos podem ser visualizados no site] de participantes.

Como sei ser um programa produzido nos EUA, não faço parte dos que se perguntam sob que influências pessoas assim formam suas personalidades.