13 julho 2004

Bêbados que nem sabem onde estão. Pessoas que te chamam pelo nome de trás pra frente. Três ou quatro frentistas que insistem em dizer que não têm troco. Todas as velhas amantes de bingo, amarguradas em praças coalhadas de pombos no centro da cidade. O sobrinho da irmã da tua cunhada em outra de suas crises existencias. Teus medos de fazer as coisas que devem ser feitas. Ridículas madrugadas à procura de companheiros de bar. Pais sem consciência da crueza de coração de suas filhas. Mães que fingem que não. Motoboys que atravessam ziguezagueando e colhendo ódio pelo caminho, justificando o mundo com uma pizza. Frieiras que insistem em não sarar jamais. Putas com sentimentos românticos que cobram mais barato. Cachorros com inexplicáveis olhares meigos e inacreditáveis corpos sarnentos. Bandas com músicas de três acordes. Escritores de fim de semana. Frases curtas e textos pontuados. Coisas.