16 julho 2004

 
É certo que existem vários leitores do suburbana que não foram a Parati, não têm interesse pela FLIP ou simplesmente não sabem do que se trata [não!, esta última hipótese descarto, partindo do pressuposto que são ao menos informados os que lêem aqui] e, logo, podem acabar se qüestionando se meus posts a respeito dos dias lá continuarão indefinidamente. Buenas, não considerando o fato de sequer saber a respeito do quê as pessoas que me lêem preferem ler aqui no suburbana e já partindo do princípio de que isto não importa - se importasse haveria uma enquete no cabeçalho deste blog - uma vez que, quem aqui lê é por que gosta do que lê, informo que meus recuerdos sobre Parati continuarão ao menos até que as lembranças constantes que continuam a me assolar ou se dissipem por completo, ou eu mesmo me sinta vazio das histórias que tinha para contar. Vazio no sentido de achar que o que havia para ser narrado, ou quaisquer digressões constantes que eu tinha por fazer, já foram suficientes e, portanto, não há - ao menos por enquanto - nada mais para se contar. Por que, essencialmente falando, as lembranças que trago de lá, das pessoas, dos fatos, do crescimento pessoal - nada místico, garanto: não fui para a Chapada dos Guimarães! - serão sentimentos sempre presentes em mim.

Não sei se é extremamente complicado ou parece exagerado para quem está lendo todo este meu exagero(?) sentimental a respeito da minha descrição dos dias lá passados. A verdade é que, apesar do dinheiro considerável gasto para esta minha viagem [não, ainda não fui como autor convidado da FLIP: quem sabe no ano que vem quando, como ganhador da bolsa de 12 mil dinheiros da VIVO, eu vá lançar o meu romance na Festa com tudo pago. Aí será uma maravilha!, e é provável que eu seja mais assediado pela imprensa do que nestes dias de semi-desconhecido - apesar de surpresas bacanas de pessoas que me liam na rede terem me abordado por lá - e que minhas aparições, descontadas as já ditas aqui, matérias no Jornal do Brasil e Folha de São Paulo, pessoas que me viram no Jornal Hoje e a que eu me vi ontem, no programa A Noite é Uma Criança [sim, aquele mesmo do Otávio Mesquita, apresentou uma grande matéria sobre a Veredas da Literatura na qual o Cardoso mandou muito bem numa comprida declaração, por sinal], tenho a certeza de que foi uma das quantias mais bem empregadas da minha vida. Não por ter tido grandes e transcedentais descobrimentos a respeito da prática do romance na oficina ministrada pelo Milton Hatoum. A verdade é que nada muito além do que já sabia foi dito. Mas também é verdade que, mesmo em contrapartida ao método extremamente racional e equilibrado, formulado em senóides e quetais do Hatoum [e que iam ao encontro do meu método por vezes sentimental demais de teorizar a escrita], esta contraposição de metodologias acabou servindo para equilibrar mais a minha e me dotar de um pouco mais de pragmatismo no escrever.

Mas, não querendo que encarem o dito acima como crítica - por que não é, Milton Hatoum é um grande escritor, seus dois livros são muito bons. Creio que o primeiro mereceu o Jabuti e o segundo também mereceu sua indicação. E Milton é uma simpatia, ainda que tenha feito uma das perguntas mais fora de questão na mesa do Chico Buarque e do Paul Auster. Bom que a Liz Calder assumiu logo em seguida e, a despeito do, mesmo partindo dela, ar que tendia um tanto para o "oh, Chico Buarque! O compositor!", conseguiu fazer questionamento bem mais pertinentes dali para a frente [já é mais do que debatido que a tendência para a fuga do assunto que estava em pauta, literatura, acabaria acontecendo, suas relações com a música viriam à tona; mas dane-se: clima de descontração, de FESTA, é isso aí!]

Fora o fato de que também foi mais o complemento, o todo resultante deste dias lá que fizeram desta experiência um fato bastante engrandecedor para o resto dos meus dias. Tanto pelas pessoas que lá conheci, pelas conversas diversas, tanto em mesa de bar, quanto pela divisão de certos anseios, expectativas e ambições. O resultante da coisa acabou sendo, também, deveras agradável. Trouxe-me método, metas a serem alcançadas e oportunidades.
 
Mas, enfim. São coisas também além de todas as declaradas acima. E que, provavelmente, não poderão ser expressas por palavras mais do que da maneira que tenho me esforçado para fazer por aqui.