19 julho 2004

A coisa é que ainda não me livrei de Parati. Nem sei se quero me livrar. Sabe quando você fez alguma coisa boa há alguns dias e você conta o dia em que você está em relação ao dia passado em questão? Tipo: "Faz tantos dias que beijei fulana na boca"? Comigo está funcionando exatamente assim. E sábado, 17 de julho, meu aniversário - 25 anos de idade! -, fez uma semana da provável noite mais bacana de Parati. Noite em que eu, Fransueldes, Tony, Luciana, Lidiane, Julian e Adauto (e Claudinei e Tati mais cedo do que nós) fomos os últimos a deixar a praça da Matriz em Parati. Os últimos. Olhamos para trás, vimos o último bêbado saindo de um bar, os barulhos de cacos de vidros sendo varridos, atrasamos o passo e concluímos: fechamos a FLIP. Ainda à distância do tempo não parece bobagem. Poderia parecer coisa de bêbado, de gente que mistura cerveja e capeta e passa a noite fazendo as mais diversas considerações sobre a relação homem-mulher e atrapalhando descaradamente o companheiro (Fransuldes) que insiste em sempre ter assunto sério e intelectual para dissertar.
 
E esta noite tem sido uma espécie de linha divisória. Não da minha vida, talvez fosse demais. Mas é uma noite-chave dos recuerdos de Parati. Noite de mijar na parede da Igreja Matriz porque os bares estão todos fechados. Noite de pechinchar bebida doce nas únicas barracas abertas. Noite de saber que as coisas podem ser mais simples do que são. Que, definitivamente, conversando a gente se entende. Noite de saber que você pode ter conversas extremamente profundas com pessoas que você conheceu a três dias e que podem ser seus grandes amigos eternamente. Ainda que longe. Ainda que eles lá em São Paulo, Rio. E eu aqui, em Porto Alegre.
 
Ainda.