18 julho 2004

domingo à noite
Os vagabundos aqui perto cantam alto uma música sertaneja, destas quaisquer que foram sucesso em tempos não muito distantes. São uns putos eles todos, isso é o que são; entornam garrafas de vinho e tocam o violão mal de propósito, como se da contracultura fossem. Dizem-se contra o sistema e o melhor maneira com que demonstram isto é entoando hinos de uma cultura pop da qual são, na realidade, fiéis seguidores– e suas risadas grotescas, e seus gritos e desafinações propositais ainda assim não servem para esconder um conhecimento genuíno, quiçá uma admiração que tentam disfarçar dando ar paródico para estas canções em grupo. São mais um ícone pop estes pretensos hippies filhos da puta. Os chutaria se pudesse. Se tiver que chamar a polícia, vão querer que eu vá junto para identificar cada um dos meliantes, vão pedir que me identifique formalmente, todas estas incomodações que arranjam para que não consigamos cumprir tranqüilamente nossa obrigação de cidadãos direitos. Como se eu pudesse estar descendo daqui do prédio nesta maldita cadeira! São todos coniventes, representantes desta lei filha da puta. Que fiquem nas suas delegacias também, bando de burocratas porcos. E eu me agüento enquanto estes malditos berram suas odes mal disfarçadas de gaiatices.