13 julho 2004

EM PORTO ALEGRE, Partenon, 14h53min.

Henry James disse que todo conto deve começar por uma boa história. Sérgio Sant'anna discordou e disse que o conto pode começar por uma frase, um som.

É possível identificar talvez no primeiro a busca da disciplina, de um princípio que lhe embase o começo do conto. Sant'anna, no entanto, vai além. E faz com que eu me sinta mais próximo dele na linha de pensamento. Os elementos que podem anunciar que um conto está prestes à desenhar-se em minha cabeça podem surgir dos mais disparatados meios. E frases, sons, são coisas que volta e meia funcionam como mola propulsora para que as idéias venham em diferentes formas. É certo que os elementos enunciados por Cortázar não devem ser nunca deixados de lado. Se em um conto não há tensão, intensidade e significação, o que nos resta senão um amontoado de palavras, digressões intermináveis e trocadilhos?

A conversa tá séria demais. É que em minha mente as lembranças se confundem. Por um lado a quantidade grande de informações decorrente da oficina do Milton Hatoum, por outro, os pensamentos ainda bêbados de madrugadas em companhia de pessoas memoráveis. Pessoas que foram minhas companheiras em noites de conversas literárias e considerações diversas sobre arte, cinema e outras cachaças. Mais cervejas e que cachaças, é verdade.

Mas, o que são as madrugadas de Paraty durante a FLIP? Grupos caminhando pelas ruas, trocando de bares quando estes cerram suas portas, encontrando escritores diversos pelo caminho, conhecendo a simpatia de gente como Marcelino Freire, Mara Coradello, Tony Monti, Julian Fuks. E outros escritores que, junto comigo, ou oficinaram ou foram companheiros em mesas de debates de autores diversos ou simples andanças pelas ruas paratinenses. Não quero ser injusto se nomes forem esquecidos, mas acho difícil que eu me esqueça destes nomes diversos: Fransueldes Abreu, Tati Carlotti, Claudinei Vieira, Luciana Gatamorta, Lidiane Soares Rodrigues, Adauto Leva, Fabíola Moura e a lista se estende. Uma lista com pessoas de pensamentos por vezes tão díspares, mas que invariavelmente se unem quando o assunto é literatura [isto dentro das saudáveis e maravilhosas discordâncias que se estendem em considerações diversas quando o assunto são gostos literários, interpretações diferentes sobre mesmas obras e autores] e que conseguem concatenar seus pensamentos em intermináveis conversas noite adentro.

Recuerdos de Paraty não termina aqui, ainda.