06 julho 2004

ERA PARA SER UMA RESENHA MAIS DECENTE

Se eu fosse um destes resenhistas calhordas de segundo caderno, eu diria que o show estava uma loucura. Lógico que isto seria uma apropriação infame de sua música de trabalho - "Que Loucura!" -, e seria um destes motes para introduzir aos leitores a respeito de quem eu estaria falando. Como não sou um resenhista calhorda de segundo caderno e, tampouco sou o mais apropriado dos caras para fazer explanações a respeito da Cachorro Grande, simplesmente deixo aqui minhas impressões sinceras do show de ontem à noite no Opinião. Show muito sincero também, digamos de passagem. Não sendo um mod e até hoje querendo saber o que, especificamente, significa tal denominação [ao que se refere, quais são os expoentes do movimento, isto é fato sabido por mim. Agora, o que significa, literalmente, MOD, não tenho idéia. É mod de moderno, é isto? Por favor, e-mails à redação], eu não era um dos que se vestiam de terninho e gravata desgrenhada. Na realidade, eles eram poucos. Três ou quatro cabeludos atraindo os olhares mais desconfiados dos incautos. Bem disse Beto Bruno em uma entrevista que, quando o modismo passar, eles [a Cachorro] continuarão se vestindo e agindo da mesma maneira. Agora, para quem é moda ou não, não caio em julgamentos. Deixa os caras lá, com seus terninhos no grande bafo que sempre é o Opinião com casa lotada.

A casa, aliás, foi lotando aos poucos. Quando quem tocava ainda eram os curitibanos da Relespública, apesar do entusiasmo de vários pelo power rock trio honesto dos caras [notaram que meus adjetivos para designar as bandas não andam muito ricos...], o Opinião ainda contava com meia dúzia de gatos pingados. Seu maior público, no entanto, como berrou o vocal desta banda. Eu pensei: Mas a Cachorro tem tão poucos fãs assim? Aos poucos a casa foi começando a encher e, quando os caras entraram, uma infinidade tomava conta da pista, pulando entusiasmados ao som do rock - sincero e bom pra caralho - da Cachorro Grande. O figurão da hora da cena independente estava lá com suas tranças. Lobão fez um lml ao ser chamado, mas as participações no palco se restringiram a King Jim com seu sax e Rafael Malenotti da Acústicos e Valvulados. O lance foi tocar as músicas do disco, na ordem, e, ao final, alguns dos seus sucessos. Antes, ainda, teve o lançamento do clipe de "Que Loucura!". Grande música. Baita show.