24 agosto 2004

ESTRÉIA HOJE, Sala Norberto Lubisco - Casa de Cultura Mario Quintana, Porto Alegre

(Post originalmente publicado em 26/04/2004)
American Splendor - Mistura de documentário e comédia muuuito bacana mesmo. Imperdível para os, como eu, fãs dos quadrinhos undergrounds. Quase um complemento histórico para quem já assistiu Crumb. Conta a vida de Harvey Pekar, em um misto de documentário [já que contém intervenções do próprio Harvey e seus amigos e esposa] e dramatização, com Paul Giamatti como Harvey, num desempenho fascinante. Como o personagem retratado aparece a toda hora, é possível fazer comparações constantes da interpretação do ator.

Harvey é um frustrado secretário de arquivo de hospital, com um problema cada vez mais crítico de perda da voz em razão de um coágulo, e um estilo de vida tão largado que não é possível não dar razão à sua segunda esposa quando vemos que ela o deixa justamente por isto. Com um apartamento caótico que abriga uma grande coleção de discos de jazz, conhece Robert Crumb [que aparece no filme, sendo interpretado por James Urbaniak] em uma destas garage sales tão típicas em que os americanos se livram de suas quinquilharias. Vasculhando e pechinchando por antigos vinis, acaba fazendo amizade com este cartunista que estava chegando no momento de se tornar um grande símbolo da contracultura. Após várias tardes passadas com Crumb e quando vê que sua vida está se esvaindo por uma rota cada vez mais medíocre, em que nada vai acontecer se ele não tomar uma decisão, Harvey começa a escrever histórias apartir de suas amargas e pessimistas visões de mundo, incluindo até seus colegas de hospital. Quando Crumb decide ilustrar suas histórias, nasce American Splendor, um álbum de quadrinhos que colhe grande sucesso na contracultura, retirando Harvey do tão detestado ostracismo em que se encontrava. O que não faz, no entanto, com que deixe de continuar batendo ponto no hospital em que trabalha - e no qual continuará por muitos anos.

O que temos em seguida é Harvey com um ídolo desta geração alternativa, que se torna extremamente conhecido nos Estados Unidos, com aparições constantes em shows como o de David Letterman [e no qual acaba protagonizando uma antológica e divertida cena de revolta contra o sistema, ofendendo Letterman e ao seu público e forçando um intervalo comercial às pressas].

Hervey é um pessimista completo - o que acaba complicando ainda mais sua vida quando acometido pelo câncer - mas que, ainda assim, e por insistência de sua mulher, continua dando vazão às suas histórias, inclusive registrando sua luta contra a doença. Concorreu ao Oscar na categoria Roteiro Adaptado e ganhou Prêmio da crítica em Cannes 2003 e do júri em Sundance 2003. Direção de Shari Springer Berman e Robert Pulcini.