10 setembro 2004

REVELAÇÕES

- Eu disse, certa vez - e sempre acham que foi uma boutade mas não foi -, que se pudesse escolher entre a música e literatura, escolheria a música; se lamento alguma coisa, é não ter sido músico. Teria sido mais feliz do que sendo escritor. Tenho a nostalgia da música, mas não sou dotado para ela, salvo como ouvinte, como aficcionado. Não tenho capacidade musical criativa.

Como ouvinte de música, sou um melômano. E se me fizessem aquela pergunta da ilha deserta - creio que disse isso em uma entrevista recente a Jacques Chesnel -, entre levar discos e livros, levaria discos. Já se vê que para um escritor esta afirmação é, digamos, um pouco violenta, e que sai um pouco fora do comum.

Julio Cortázar, em "Conversas com Cortázar", livro que compila uma série de conversas que o escritor teve com o seu amigo, o jornalista uruguaio Ernesto González Bermejo.