12 novembro 2004

No cinema, tenho me aventurado pelo previsível, ultimamente. Outro dia fui assistir a Os Esquecidos. Sim, eu ainda acredito em golpes publicitários que tentam vender filmes com chavões do tipo "o filme mais surpreendente desde O Sexto Sentido!". O bom é que eu sempre tenho uma desculpa para as minhas incursões cinematográficas mal sucedidas. A grande pedida para este filme é dizer que só foi assistir por causa da Julianne Moore, rica ruivinha que geralmente manda muito bem nos filmes. Por que é pouco provável que se tenha outros motivos para justificar sua ida ao cinema. Se até o Gary Sinise tá lá com um papelzinho medíocre, ainda é possível utilizar Julianne como desculpe. É bom que ela se cuide, no entanto, pois se continuar neste ritmo de escolha de papéis, periga virar uma Ashley Judd.

Não podemos dizer ao menos que o filme é surpreendente. Bastam os minutos iniciais à compreensão da trama, quando sabemos que a personagem de Moore é uma mãe que ainda sofre com o "desastre aéreo" que vitimou seu filho e outras crianças, e, em seguida, as pistas deixadas pelo diretor já nos deixam claro que, se a coisa não aconteceu como a mãe suspeita - e nós também - as opções não podem ser muitas. E, lógico, tudo vai acabar na previsibilidade em que não se precisa explicação mas que é "terrível demais para se conhecer".

Não, não é preciso ser o Fox Molder para descobrir o terrível segredo que envolve os esquecidos e quem são aqueles que os fazem esquecer. As pistas nada sutis que são soltas ao espectador - como pessoas sendo sugadas violentamente em direção ao céu - não deixam dúvida alguma. Ruim é cair na conversa de quão grande é o amor materno de Julianne, já que é a única que não esqueceu aquilo o que deveria. Abortando, desta maneira, os "horríveis" experimentos destes que estão sempre dispostos a nos atazanar, nem que tenham que cruzar galáxias para isto.