03 janeiro 2005

O Grito (The Grudge, Japan/USA, 2003)

Filmes de terror atuais são feitos de sustinhos. Em nenhum momento O Grito (The Grudge, 2003), do diretor japonês Takashi Shimizu oferece mais do que isto. A própria escolha da protagonista Sarah Michelle Gellar já se mostra um erro. Não se consegue desassociar sua figura da Buffy, a caçadora de vampiros da série de tevê – além do seu desempenho dramático ser completamente zero em expressividade. O que acontece é que aqui, ironicamente ao contrário da série, sua importância na trama é tão grande quanto à do garotinho que toda vez que abre a boca nos dá a impressão de ter engolido um gato. Eu não sei o que faz com que diretores com tão boa trama inicial consigam transformar seus filmes em uma sucessão de aparições surpresas de entidades em armários, banheiras e reflexos de vidro. Os argumentos do começo do filme fazem referência a uma “força maligna” que toma conta de ambientes em que pessoas morram cheias de mágoa ou raiva. E o próprio Japão, como o país onde a trama se passa, apresenta uma atmosfera bastante propícia ao desenvolvimento do clima de horror, com suas lendas, seu povo sério demais, a expressividade dos japoneses, a arquitetura diferenciada de suas residências.

Mesmo com um produtor como Sam Raimi (diretor da franquia Homem Aranha e de clássicos filmes de terrir como A morte do demônio, de 1981), este O Grito, baseado no filme japonês de grande sucesso Ju-On: The Grudge, de 2003, do mesmo diretor, não deslancha. Neste filme a história é a seguinte: Karen (Sarah Michelle Gellar) é um estudante de intercâmbio que trabalha no Serviço Social do Japão. Quando aceita substituir uma enfermeira que não apareceu para trabalhar, descobre uma americana idosa, Emma (Grace Zabriskie), em estado catatônico e completamente abandonada nesta casa. É então que Karen descobrirá (o horror! o horror!) que a casa está possuída por uma terrível maldição – passada adiante como para todos os que entram nela, formando uma infinita corrente de terror.

A partir daí, a história retrocede para que saibamos os princípios deste terror profundo que atormenta a todos que penetram na casa. Então conhecemos a história de Peter Kirk (Bill Pullman) – que se suicida em um dos primeiros planos do filme –, professor americano em uma escola no Japão e desencadeador de toma uma trama de vingança e ódio.

O que ocorre é que o filme todo é tão esteticamente calcado em O Chamado (The Ring, 2002 – este também, proveniente de um original japonês, Ringu, de 1988) que chega a ser constrangedor. Existem momentos em que o caminhar da “amaldiçoada” se mostra tão bizarro que são capazes de gerar involuntária comicidade. A onipresente japonesinha morta-viva grunhindo a todo momento e o moleque com seu som de gato são soluções que garantem mais risos do que sustos.

Péssimo filme de horror para começar o ano.