15 março 2005

Ainda que o fato de não ter assistido ao filme original de 1974, de Tobe Hooper, não me ofereça a idoneidade completa, não tenho medo de afirmar que filme bom é esta refilmagem d'O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, USA, 2003). A grande verdade, também, é que este filme pode e deve ser considerado como independente de seu original e, dentro deste pressuposto, esta versão de 2003 nos oferece um espetáculo visual para os fãs do horror de primeira grandeza.

Não é de hoje que tenho estado à caça do bom e honesto filme de horror que vá na contra-mão deste psicopatas com máscara de borraca e que sempre sabem o que os outros fizeram no verão passado. Leatherface é a resposta definitiva a isto. Um gordo sujo e asqueroso, com uma demência tão grande que seus momentos cândidos são passados costurando máscaras com a pele de suas vítimas. Nada de Jason com sérios problemas para encarar uma corrida curta. Leatherface, longe de estar com uma forma física invejável, no entanto, sabe o que quer quando se põe a correr atrás de um destes jovens desavisados. Não hesita em decepar-lhe o pé com a avidez de sua serra elétrica e carregar o dito cujo vivo para pendurá-lo como um boi em um dos ganchos pendentes na fornalha da doce casa da família Hewitt.

A direção de arte é o grande trunfo neste filme de Mascus Nispel. Assim como a fotografia, que em um primeiro momento nos encanta com aquele grupo de cinco jovens querendo somente desfrutar de um show do Lynyrd Skynyrd, enquanto desbravam o deserto do México. Depois, somos jogados na imundície e sordidez dos cantos fétidos da mansão Hewitt, com seus potes cheios de globos oculares, pedaços de dentaduras humanas e retalhos de corpos por todos os lados. Do asqueroso velho sem pernas que passeia com sua cadeira de rodas ao "xerife" da cidadela, somente empenhado em carregar mais uma vítima para seu irmão com grave problema de pele, todos são tipos estranhos e desagradáveis que não podem ajudar nem um pouco àquele grupo quando a coisa começa a ficar feia. Seu grande erro foi dar carona para aquela garota de tipo estranho e rumar para um pesadelo protagonizado pelos mais bizarros tipos.

Lógico que não poderia faltar as menininhas gostosas correndo em desespero - clichê mais do que batido, mas sempre uma grande atração neste tipo de produção também. No papel em questão, Jessica Biel defende muito bem a mocinha, com sua regata molhada amarrada na barriguinha, correndo desesperadamente para escapar do sangüinário e nem um pouco sexualmente interessado Leatherface (nada indefesa, no entanto; consegue fazer ligações diretas com os automóveis que lhe salvam a vida pelo menos um par de vezes e sua luta com o Leatherface no frigorífico deixa muito marmanjo imbecil no chinelo).

Enfim, enquanto não descobrem definitivamente o que nos faz prostrarmo-nos durante horas na frente de uma tela, querendo os mais efetivos sustos, O Massacre da Serra Elétrica é diversão de primeira para os fãs do filmes de horror.