25 fevereiro 2008

A Promessa

Assisti neste fim de semana um filme dirigido pelo quase sempre (como ator) irrepreensível Sean Penn. Chama-se "A Promessa", uma produção de 2001 que, entre tantos méritos, traz Jack Nicholson como protagonista.

À primeira vista, o filme poderia ser classificado como mais uma daquelas batidas tramas filmadas à exaustão sobre policial que, às voltas da aposentadoria, sente-se compelido - pelo dever acumuado durante anos no batente - a terminar a última e, quase sempre, longa investigação. Entra o fato de que alguém, que não deveria, foi culpado por um crime terrível: aqui, o estupro e assassinato de uma garotinha de nove anos. E o personagem de Nicholson, responsável por contar o fato à família da menina, faz a promessa a que o título se refere, que é encontrar, de qualquer forma, o culpado por tão hediondo crime.

Tem início então a verdadeira obstinação que tal missão se torna para o já aposentado policial. Fugindo do lugar-comum dos policiais de gato-e-rato, aqui a predileção é pelo enfoque psicológico, com um policial muito acabado que caminha rumo a uma espiral de provável loucura. Ele passa a relacionar o crime a uma dezena de outros cometidos, por motivos que também nos convencem. Se utiliza da força de seus ex-colegas policiais, movendo mundos à caça de quem ele acredita ter sido o responsável pela morte da menina.

Fugindo dos clichês do gênero, no entanto, sua busca cada vez mais se torna infortuita, culminando para uma degradação tremenda do personagem. Um trabalho primoroso de direção e atuação, com destaque também para Robin Wright-Penn e Benício Del Toro. Vale a pena pela morosidade e detalhismo que a história é contada, com sensibilidade e humanismo.