11 dezembro 2008

O professor de botânica

Nem sempre há, no espaço exíguo de uma novela, condições para se abarcar com propriedade temas complexos da condição humana e ainda ter pitadas de questões prementes de atualidade. Não é o que acontece em O Professor de Botânica. (...) Em sua primeira narrativa longa, Machado de Machado lança mão de um registro diferente, direto e austero, (...) Quando imprime uma nota de melancolia ao seu protagonista tragicômico, o livro alcança suas alturas mais elevadas. Fascinado pelo naturalista francês Saint-Hilaire, o professor admira o modo como o francês catalogou, em visita ao Brasil, dezenas de espécies vegetais ainda desconhecidas em seu tempo. Mas, e a ironia do livro vai além, corrosiva, hoje o nome de Saint-Hilaire, praticamente desconhecido em seu país de origem, é mais lembrado aqui como o nome de um parque do que como um pesquisador pioneiro. Um lembrete de que são insondáveis os caminhos da glória no mundo, e uma pista do que aguarda Rotgeller ao fim de sua aventura.

Carlos André Moreira, na Zero Hora de ontem, sobre O professor de botânica, que teve lançamento ontem, no Cult, em Porto Alegre - estréia solo de Samir Machado de Machado, o grande idealizador do Ficção de Polpa e hoje tocando a bacanésima Não Editora.