08 dezembro 2010

Últimas

Este blogue costumava ser mais pessoal. Este blogue costumava ser mais freqüente. Este blogue costumava ser menos parcimonioso. Tenho pra mim que o excesso de novidades e mudanças na vida, mais do que gerar argumentos e motivos para novos posts, me aparvalha de tal maneira que o resultado é a ridículo e inevitável pane motora. Senão, vejamos: faz mais de um mês que estou morando em São Paulo, tendo trocado de agência e de apartamento. Some a isto o fato de minha despedida de Porto Alegre ter-se dado na noite do lançamento do meu livro. 

Neste um mês e tanto, meus dias envolveram todas as burocracias possíveis que cercam espera da mudança, registros de contas de gás, luz, pedidos reiterados de transferência da NET (e, é bom que se diga quando são bem sucedidos em uma das tantas solicitações que costumeiramente lhe são feitas, deu tudo certo num tempo hábil bastante respeitável), compra de móveis e a arte de decifrar os trajetos desta cidade, gastando volumosas quantias em táxis em que se envelhece nos costumeiros engarrafamentos, seja que horas for. Momentos estes que sempre são lembranças de A auto estrada do Sul, do Cortázar. Ainda, neste ínterim - e sempre é bom ter motivo para se usar interim, antes que o termo saia de circulação - voltei a Porto Alegre para lançar e autografar "A sordidez..." na Feira do Livro, estreando pela primeira vez solo nesta que é uma das [insira aqui seu superlativo] feiras do mundo. A experiência? Pretexto bom para reunir os amigos, voltar à cidade para resolver ainda uma dúzia de pendências práticas, como trazer a cadela que tinha ficado na casa de minha sogra, e rir, fazendo piadinhas entre constrangido e sarcástico, que minha fila de autógrafos ainda não alcança a magnitude de nenhum best seller.


Verdade que de minha nova condição de morador de São Paulo não consegui nem tecer as inevitáveis crônicas do estranhamento por esta cidade, com seu gigantismo e quantidade de opções que, pra mim, chega a ser angustiante. A angústia da variedade, da quantidade, aliás, tem acompanhando meus dias. Talvez por isto tenha retirado da estante para reler, Angústia, do Graciliano Ramos.

Entre o definitivo mergulho no romance que estou escrevendo, continua a rotina de movimentos em torno deste meu primeiro livro, que inclui coisas como o inevitável lançamento de "A sordidez..." aqui em São Paulo. É amanhã, no B_arco, na Vila Madalena. Mais detalhes aqui. Espero manter as atualizações neste blogue com uma freqüência menos vergonhosa que até então.